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sexta-feira, 27 de Novembro de 2009
quinta-feira, 26 de Novembro de 2009
Onion Tears
Há uma razão sólida que sustenta o facto de eu apreciar cozinhar sem ninguém de volta. Adoro cortar cebola. Para quem só muito raramente chora, cortar cebola é uma experiência singular e solitária, capaz de transformar o mero acto do corte cebolesco num drama shaskespeareano. É uma espécie de último e desesperado reduto para exorcizar a vontade de transformar em lágrimas aquilo que transborda da alma. Ver a alma a transbordar dos olhos é assim para o pacificador. O mesmo não se pode dizer quando transborda das palavras. Essas, por vezes, ao invés de me sossegarem, pegam em mim e levam-me para mundos subconscientes que até tenho medo de visitar. Mas hoje não se fala de palavras. Fala-se de cebolas e do seu efeito secundário. Um efeito que me obriga a acompanhar o acto da lágrima provocada pela cebola a cair, para não dar azo a dissonâncias cognitivas, e quando dou por mim estou de mão na testa, com expressões faciais várias que variam entre o desespero e o pânico, entregue a suspiros violentos e à incerta sorte do destino. Ontem foi um dia assim, com uma leve, ligeira e quase insignificante diferença: Não cortei cebola.sábado, 21 de Novembro de 2009
Excerto de uma carta
Quando o Cesariny vier tu lerás a carta pois eu acho-a um ponto base da minha evolução (chamemos-lhe).
Frases centrais:
- O Futuro é um Passado Remoto! E ao caminharmos para o Futuro é o Passado que conquistamos!
- Ísis e Osíris - A realidade misturada. Tudo é possível. Até a nossa própria vida.
- A Poesia é uma obra de séculos e irrompe espontaneamente ou não irrompe.
- A metaciência pretende entre outras coisas dar ao homem o centro do universo de que ele anda arredado, por outras palavras: fazer que o homem possua no cérebro, na mão, todos os raios da esfera deste universo como formas a propulsar para outro. Este é um movimento de poetas absolutamente em oposição àqueles que são apenas "fixadores do real".
P.S. Não te envio o meu "Sinal" mágico porque ainda não está convenientemente idealizado ou realizado.
Era uma vez...
Era uma vez um gatito curioso. Que não sossegou até entrar no sótão misterioso. Tinha a mania de tudo, tudo espreitar. Entrar nas coisas e vê-las a funcionar. Mas no velho piano, todo preto e cheio de pó, o gatito entrava e assustava-se ao pisar na tecla Dó. E quando ouvia o relógio a tocar, o gatito parava e começava a complicar.Em Dó Maior
A vida lateja em doses sucessivas de furor e inquietação. A noite ora gela, ora queima. Há compassos. Sem passos. Onde uma orquestra repleta de pianoncelos, violonfones, acordeoninos e saxofões faz ecoar uma mesma nota: Dó Maior. Deve ser do sono. Amanhã acordo Lá. Com a alma fora de Si.
quinta-feira, 19 de Novembro de 2009
"Diz que" são gigantes ameaçadores
Daí se perceba que D. Quixote tenha passado o seu tempo a investir contra ameaçadores moinhos de vento...
segunda-feira, 9 de Novembro de 2009
Enche-se de Invernos a minha existência
Imprevistos em linha recta são mais fáceis de gerir. Imprevistos em plena curva acentuada originam despistes. Despisto-me. De forma épica. Antes assim. Não é impunemente que se desejam coisas. E se andava há séculos a citar o Verlaine, "como um brigue perdido entre as ondas do mar", com a alma a perseguir um "naufrágio maior", agora resta-me apertar as pálpebras e premir os lábios. Porque enchem de Invernos a minha existência.
quarta-feira, 4 de Novembro de 2009
Diz que é do tempo II
Mas não é. Do tempo. É das coisas. Assim no geral. Das coisas que acontecem de forma inesperada. Dos scones que não foram porque um estranho ensaiava saxofone. De janela aberta. No primeiro andar de um prédio de traça antiga. Paralisando-me os músculos. É da magia do bosque que se perdeu, atraindo a magia da cidade em dia de castanhas assadas. É de quem cruza a esquinas de forma destemida. É dos receios insondáveis. Dos perigos que não são. E dos tremores. Dos ardores. Dos destemores...
Suspensões
Agora escrevo. Crepitação. Aceito o que sinto. Não é essa a agitação. Apenas não sei como pensar. Por isso não penso. Caminho com o fôlego em suspenso.
segunda-feira, 2 de Novembro de 2009
Diz que é do tempo

Foi no primeiro dia de Outono. O frio teimava em não chegar. As folham insistiam em não cair. A chuva escondia-se ora lá em cima ora dentro de mim. Estava despido da sua pele própria. Disfarçado. O Outono. Tal como eu. Mas aos poucos, a estação foi avançando e foi adquirindo os seus contornos. Os contornos que lhe demarcam a unicidade. Estavam perdidos. Esquecidos desde a estação passada. Demorou a reencontrá-los. Até que o hálito morno das castanhas assadas lhe acenou. O fumo subiu, acumulou-se nas nuvens e o Outono caiu. Em cima de mim. E dentro. Cá dentro. Cá dentro de mim. Para não mais sair. Porque nunca tinha sentido o Outono assim.
sexta-feira, 23 de Outubro de 2009
terça-feira, 20 de Outubro de 2009
Why is everything so hazy?
O Outono tarda. Mas as folhas interiores começam a cair no átrio dos sentidos. Um manto castanho cobre-me de sinestesias delirantes sob inconstantes palpitações.
Apertos
Ocorro ao acaso do apelo,
sentado no peito
deslizante do aperto.
Acorro sem sequer saber
se te apanho e me solto
se me arranho e morro.
sentado no peito
deslizante do aperto.
Acorro sem sequer saber
se te apanho e me solto
se me arranho e morro.
domingo, 4 de Outubro de 2009
quinta-feira, 1 de Outubro de 2009
Misunderstood
«Os signos não são provas, pois qualquer pessoa os pode produzir, falsos ou ambíguos. Daí resulta depreciar-se, paradoxalmente, a omnipotência da linguagem: uma vez que a linguagem nada garante, tomarei a linguagem por única e última garantia: não acreditarei mais na interpretação. Do meu outro, receberei toda a palavra como um signo de verdade; e, quando falar, não porei em dúvida que ele tome por verdadeiro o que lhe disser. Daí a importância das declarações: Nada se deixa à sugestão, à adivinha: para que se saiba uma coisa ela tem de ser dita; mas também, desde que seja dita, provisoriamente, ela é verdadeira». Roland Barthes
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